20 de junho de 2009

ETHOS, PROMOVE ATO PUBLICO CONTRA MP DA GRILAGEM


Um ato público promovido na tarde de ontem no Hotel Transamérica, em São Paulo, pelo Instituto Ethos simultaneamente Amostra de Tecnologias sustentaveis e a Conferencia Internacional Ethos 2009 Empresas e Responsabilidade Social , reuniu empresários, representantes de movimentos ambientais, centrais sindicais e do Ministério do Meio Ambiente contra a aprovação da Medida Provisória (MP) 458, que regulariza terras na Amazônia.
Esta medida foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início de fevereiro e seguiu para tramitação no Congresso Nacional onde recebeu mudanças polêmicas. No dia 13 de maio, a MP foi aprovada pela Câmara dos Deputados. Em 3 de junho, o plenário do Senado aprovou o texto sem alterações que espera agora a sanção presidencial.

A MP permite à União transferir, sem licitação, terrenos de sua propriedade, aos ocupantes das áreas na Amazônia Legal. No ato foi falado sobre o veto de pelo menos três artigos polêmicos do texto. São eles a venda de áreas regularizadas após três anos, a possibilidade de empresas se beneficiarem com a medida e também a permissão para que moradores de outros municípios possam obter a titularidade da terra.

Todos no ato, criticaram à bancada ruralista nestes três itens que não estavam inicialmente previstos na MP.


Abaixo alguns dos comentários:


Ivo Bucaresky, chefe de gabinete do ministro do Meio Ambiente: “Infelizmente, quando foi ao Congresso, foram colocados alguns contrabandos que, em nossa opinião, legalizam a grilagem, permitem que empresas explorem a terra e a venda da terra sem que se pague um tostão para o governo”,


Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos: “Essa MP começou com uma intenção positiva e está terminando como uma catástrofe. A intenção positiva foi iniciar a regularização fundiária para que se pudesse justamente disciplinar o uso da terra na Amazônia e se dar condição de desenvolvimento para ela. Mas colocaram “cavalos de Tróia” nessa lei beneficiando grileiros e aqueles que têm tomado a terra da União”.


José Luciano Penido, presidente da Votorantim Celulose e Papel (VCP): “De nada adianta ao Brasil ter êxito em determinados setores a curto prazo e abrir mão de todo nosso potencial ambiental no longo prazo”.


Guilherme Leal, copresidente do conselho da Natura: “Atribuir uma área de terra que corresponde a mais de uma Alemanha para proprietários que estiveram envolvidos em atos criminosos como o da irmã Dorothy (Stang, missionária norte-americana que foi assassinada em 2005 no Brasil) ou em grilagens famosas é um estímulo para que a grilagem continue”.


Marcelo Furtado, diretor executivo do Greenpeace Brasil, “a aprovação integral da MP poderá provocar um efeito que chamou de “sacola de maldades”, já que permitiria a aprovação em escala de outros projetos que considera ruins para o Brasil, tais como o do uso de energia nuclear e o desmonte do Código Florestal, a aprovação dessa MP não só é um retrocesso para a Amazônia como ela dá indicação de que o governo e a sociedade estão coniventes com esse crime. Se você abrir a porta para a MP da grilagem, por que não para o Floresta Zero Já, para o Nuclear Já ou para o Diesel Sujo Já?”, questionou ele.

Ao final do ato público, houve a leitura da Carta Aberta, que será enviado ao presidente Lula, que diz: “Nossa enorme perplexidade é verificar que, no início de um novo século, com os desafios que temos, ainda existam políticos e empresários descomprometidos que se apropriam do Estado para benefício particular, privilegiando o lucro imediato à custa do interesse maior da nação brasileira”.

Alessandra Mendes:ale.socioambiental@gmail.com

Colaboração,Jaborandy Yandê Tupinambá de Olivença
jaborandy@indiosonline.org.br


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